Quando o assunto é bem-estar, a alimentação tem um lugar de destaque. Nos últimos anos, a busca por uma dieta à base de vegetais aumentou e hoje há cada vez mais vegetarianos em Portugal.
Seja por amor aos animais, pela proteção do ambiente ou por uma questão de saúde, o vegetarianismo tem vindo a ganhar adeptos nos últimos anos. Basta observarmos a variedade de alimentos vegetarianos e vegan
que existem hoje nas prateleiras dos supermercados. E se dúvidas houvessem, um estudo feito pela consultora Nielsen a pedido do Centro Vegetariano - Associação Ambiental para a Promoção do Vegetarianismo revela que 120 mil portugueses são vegetarianos, um número que quadruplicou numa década.
Afinal, o que é ser vegetariano?
Se, há alguns anos, falar em vegetarianismo era algo estranho e desconhecido para a maioria das pessoas, hoje é um conceito perfeitamente comum no nosso dia a dia. Mas será que sabemos realmente no que é que consiste este padrão alimentar?
Ser vegetariano é excluir da alimentação alguns ou todos os alimentos de origem animal. No prato destas pessoas entram alimentos de todas as cores, mas não há lugar para a carne e o peixe. Nem sequer atum em lata e bacalhau. Já os ovos e os laticínios podem marcar presença, consoante os casos.
Isto acontece porque, neste padrão alimentar, há quem prefira retirar todos os produtos de origem e animal e quem opte por continuar a comer alguns deles. Aliás, este é um dos principais fatores de diferenciação das dietas vegetarianas, que podem assumir diferentes tipologias.
Tipos de vegetarianismo
- Ovolactovegetariana -
Exclui carne e pescado, mas permite a ingestão de ovos, leite e seus derivados (queijo, manteiga ou iogurtes). É a forma mais comum, por isso é muitas vezes chamada de vegetarianismo.
- Lactovegetariana - Exclui carne, pescado e ovos, mas inclui o consumo de laticínios.
- Ovovegetariana - Permite a ingestão de ovos, mas não de carne, peixe e produtos lácteos.
- Vegetariana estrita ou vegan
- Exclui todos os alimentos ou produtos de origem animal como os ovos, o leite, os seus derivados e o mel. Para além da alimentação, os vegans recusam-se a utilizar qualquer produto derivado de animais, seja roupa, calçado, acessórios ou cosméticos. Mais do que uma dieta, o veganismo assume-se como uma filosofia de vida de quem recusa a exploração animal.
Agora que conhecem as diferenças entre os diversos tipos de vegetarianismo, já não têm desculpas para oferecer uma omeleta a um vegan ou peixe a um vegetariano.
Vantagens para a saúde
Os benefícios associados a uma alimentação vegetariana bem planeada resultam essencialmente da ingestão nula de proteínas de origem animal e/ou ao maior consumo de produtos de origem vegetal.
Embora não seja uma “solução mágica” para todos os problemas, a Direção-Geral da Saúde (DGS) afirma que as pessoas com consumos elevados ou exclusivos de produtos de origem vegetal parecem ter menor probabilidade de contraírem doenças crónicas, nomeadamente doença cardiovascular, certos tipos de cancro, diabetes e obesidade.
O reverso da medalha
Mas atenção! A adoção de uma dieta vegetariana não implica, à partida, mais saúde. Quando mal planeada, uma alimentação vegetal pode causar desequilíbrios e défices nutricionais, sendo, por vezes, marcada por um consumo excessivo de alimentos processados - ricos em gorduras, sal e açúcares -, como fritos, refrigerantes e refeições pré-congeladas.
Por isso, tal como em qualquer dieta, também no vegetarianismo é preciso saber fazer escolhas alimentares adequadas e levar um estilo de vida saudável. De acordo com a American Dietetic Association
e a DGS, «as dietas vegetarianas bem planeadas são apropriadas para indivíduos durante todas as fases do ciclo de vida, incluindo gravidez, amamentação, infância e adolescência, e também para atletas».
Comida variada e saborosa
Uma alimentação vegetariana não é só sinónimo de saladas! A maioria dos vegetarianos são gourmets
exigentes, que têm prazer em saborear uma refeição, tal como qualquer outra pessoa. Sendo esta uma dieta de base vegetal, as pessoas que seguem este regime comem essencialmente cereais, legumes, leguminosas, fruta, sementes e frutos secos, entre outros, de preferência locais, da época e minimamente processados. Ou seja, consomem todo o tipo de pratos, incluindo sobremesas e doces, desde que não contenham proteínas animais.
Se precisarem de criatividade na cozinha ou quiserem descobrir novos alimentos e receitas sem proteína animal, podem encontrar no nosso blog
algumas sugestões saudáveis e bem saborosas.
As nossas receitas
Apesar de cá em casa não sermos vegetarianos, a maior parte das receitas que publicamos no blog não leva ovos por causa da nossa sobrinha mais nova. Como a L. é alérgica à proteína animal (carne e peixe) e, muito provavelmente, à albumina - proteína presente na clara do ovo e uma das principais proteínas do corpo humano -, não pode comer nada que contenha estes ingredientes.
Mas isso não significa que não possa deliciar-se com refeições saborosas e apelativas. Foi precisamente a pensar nela que nasceu o nosso desejo de criar e experimentar receitas que ela possa comer sem qualquer receio, utilizando um dos frutos que mais gosta, as nossas physalis.
Também por questões de saúde - mas desta vez minhas -, opto por usar produtos sem lactose na nossa alimentação. Por isso, não estranhem se as receitas que partilharmos convosco forem confecionadas sem produtos lácteos.
Para tornar as nossas receitas 100% vegan, basta fazerem algumas substituiçoes. Assim, sempre que o leite surgir na lista de ingredientes, podem trocá-lo por bebidas vegetais, como leite de amêndoa, aveia ou arroz, e as natas sem lactose por natas de soja. Desta forma, além de menos calóricas, as refeições podem ser consumidas por pessoas com eventuais restrições alimentares ou que sigam diferentes dietas.